As segundas Jornadas INTERACT, realizadas nos passados dias 12 e 13 de julho, pretendeu dar visibilidade ao trabalho de cerca de 120 investigadores ao longo do primeiro ano de vida do projeto INTERACT-UTAD, o qual cobre áreas multidisciplinares, desde a socio-economia às ciências florestais, química, ecologia, geologia, biologia molecular ou ciências veterinárias.

O primeiro dia das jornadas, decorreu no auditório dos Blocos Laboratoriais da UTAD onde tiveram lugar várias apresentações, com destaque para o trabalho dos bolseiros de investigação envolvidos no projeto, na presença do Reitor da UTAD, Prof. Fontainhas Fernandes, que abordou a importância da investigação para Instituição UTAD, em particular no setor agroalimentar, cujos projetos “abrem novas portas para o futuro de uma região que continua com imensos recursos por explorar”. Por sua vez, o coordenador do projeto, Prof. Rui Cortes, destacou o projeto INTERACT-UTAD como “maior interface de investigadores de diferentes domínios”, sendo que “a grande aventura foi lançar um projeto que agrupa numerosos investigadores geralmente de costas voltadas”.

Foram 34 apresentações orais por parte dos bolseiros de investigação contratados, divididos pelas 3 linhas que constituem o Projeto: a Linha Inovação para Cadeias Agroalimentares Sustentáveis (ISAC), em articulação com duas outras linhas: Bioeconomia e Sustentabilidade (BEST) e Viticultura Sustentável e Produção de Vinho (VitalyWine).

O segundo dia dos trabalhos, teve lugar no auditório do Regia-Douro Park, mais voltado para o exterior, visando em particular os stakeholders, no propósito de que a investigação deve andar lado a lado com a transferência de conhecimento e tecnologia, em especial para o tecido empresarial, por forma a contribuir para um alavancar da economia local. Intervieram Rui Cortes, investigador responsável do projeto, Ana Barros, diretora do CITAB (um dos centros de investigação da UTAD com maior implicação no mesmo), e, de uma forma mais detalhada, os responsáveis pelas três linhas de investigação do projeto: “Inovação para Cadeias Agroalimentares Sustentáveis” (ISAC), “Bio-economia e Sustentabilidade” (BEST) e “Viticultura Sustentável e Produção de Vinho” (VitalyWine). O primeiro, Henrique Trindade, detalhou as cinco atividades que a sua linha contempla (produção animal, fruticultura, olivicultura, compostos bioativos das plantas e impactos ambientais). Seguiu-se Fernando Pacheco, responsável pela linha BEST, para expor as suas quatro tarefas: modelação de sistemas aquáticos, ecossistemas terrestres e impacto das alterações climáticas, valorização dos subprodutos agroflorestais e a bio-economia na perceção dos consumidores e agentes económicos. Por fim, o investigador Moutinho Pereira referiu-se em pormenor às cinco atividades que coordena no domínio da fileira da vinha e do vinho (biodiversidade do solo, stress das alterações climáticas, castas, vitivinicultura de precisão, valorização dos resíduos da indústria vinícola), realçando as medidas de caracter multidisciplinar em estudo para promover a sustentabilidade da vitivinicultura no atual contexto das alterações climáticas.

Ao final do primeiro ano de projeto, os resultados decorrentes das várias apresentações, abarcaram uma elevada diversidade temática inerente ao Projeto, particularmente no domínio dos recursos agroalimentares assentes na produção animal (carne e leite), vegetais, frutas, azeitonas, nozes, vinho, floresta e flora nativa, e plantas medicinais, com uma tónica grade na valorização dos sub-produtos, mas também as implicações ambientais a nível dos recursos hídricos, tratamento de efluentes e conservação do solo e, ainda, o enquadramento destas atividades em termos socioeconómicos, mais especificamente, caracterizando o perfil dos consumidores, de modo a potenciar a transferência de know-how e a permitir a colocação com sucesso dos produtos no mercado. Os desafios transversais que as mudanças climáticas podem trazer para a agricultura e floresta da região Norte não poderiam ser esquecidos e foram também objeto de análise. O ritmo dos oradores foi sempre muito vivo e é de realçar a qualidade global e interesse das apresentações. A presença dos orientadores foi igualmente motivante e permitiu a todos um conhecimento ainda mais amplo de todas as atividades de investigação em curso, num projeto tão vasto.